sexta-feira, 1 de maio de 2020

Voluntários que faziam visitas em hospitais do AM passam a enviar vídeos de humor para alegrar pacientes durante pandemia

Grupo Acadêmicos da Alegria incentiva público em geral a gravar vídeos para pacientes internados, em Manaus. — Foto: DivulgaçãoA pandemia do novo coronavírus mudou as relações e o cotidiano em todo o mundo. No Amazonas, após um decreto governamental suspender todas as visitas nas unidades de saúde, um grupo de 20 voluntários que fazia visitas de humanização nos hospitais de Manaus tem mostrado como ainda é possível fazer o bem, mesmo à distância. Agora, tudo é feito por meio de vídeos, gravados ou em tempo real.
O grupo 'Acadêmicos da Alegria' já realizava visitas presenciais nos pronto-socorros antes mesmo da pandemia. Há 6 anos, vestidos com figurinos de palhaços e com instrumentos musicais, os voluntários caminhavam pelos corredores de hospitais na capital distribuindo sorrisos e bom-humor aos internados.
Com o avanço dos casos de coronavírus, que passam de 4,3 mil em todo o estado, eles precisaram se reinventar diante da situação. Agora, produzem vídeos caseiros e enviam aos pacientes, que utilizam as redes sociais para agradecer pela iniciativa e pedir novas performances.
Atualmente, os hospitais que recebem os vídeos são os mesmos onde as visitas eram realizadas: Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon), Instituto de Saúde da Criança do Amazonas - ICAM (ICAM), Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado e um hospital da rede privada.
Voluntários enviam vídeos de humor para alegrar pacientes em hospitais do AM
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Voluntários enviam vídeos de humor para alegrar pacientes em hospitais do AM
Quem recebe os vídeos e compartilha com os pacientes internados é a equipe de assistência social de cada um dos hospitais. O voluntário Kennedy Ferreira faz parte do projeto desde o início e conta como tudo mudou desde o avanço dos casos de Covid-19 no Estado.
“O mais importante é o afeto. Nós sempre visitávamos os hospitais de forma quinzenal, mas hoje estamos distantes e a saudade aperta tanto do lado de cá (voluntários) quanto do lado de lá (pacientes, profissionais da saúde, acompanhantes). Estamos usando a tecnologia ao nosso favor, aproximando e dizendo que eles são importantes para nós”, disse.
Um dos principais objetivos da ação é envolver as pessoas no trabalho voluntário, levando entretenimento e humanização a portadores de doenças, por meio da arte, do humor e da música. Para Kennedy, durante a pandemia, com o isolamento social e o colapso na saúde, a responsabilidade é ainda maior.
A assistente social Bruna Minieiro, de um hospital particular da capital, antes era responsável por acompanhar as visitas, e, agora, tem a missão de mostrar os vídeos aos pacientes. Ela diz que chega a se emocionar.
“A videochamada e os vídeos fazem toda diferença. O trabalho alegra e emociona os pacientes e os profissionais. Consegue trazer de volta, mesmo que por alguns minutos, o brilho no olhar de uma criança que não está bem, por exemplo”, destacou.
Quem tiver interesse em participar da ação solidária também pode contribuir. Basta enviar um vídeo curto para as redes sociais do projeto Acadêmicos da Alegria.
A estudante de Psicologia, Kamila Gabriele, já produziu vídeos para enviar aos hospitais e conta que, para ela, a experiência é única e gratificante.
“No enfrentamento contra a Covid-19, nós falamos muito de minimizar o sofrimento psíquico gerado pelo isolamento social. Você acaba por perceber como pequenas ações podem ser de grande ajuda ao próximo, como um vídeo ou um simples ‘vai ficar tudo bem’, ‘você não está só’. Todos nós temos a capacidade de fazer alguém feliz mesmo no seu pior momento”, contou.

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