Presos que integram a facção criminosa Comando Vermelho promoveram uma rebelião hoje, logo nas primeiras horas da manhã, para servir como cortina de fumaça a fim de que eles concluíssem um túnel que estavam cavando dentro da Unidade Prisional do Puraquequara, para tentar promover uma fuga em massa. Eles capturaram sete agentes penitenciários e os forçaram a gravar vídeos com reivindicações – energia elétrica, comida de melhor qualidade, liberação das visitas e remédios -, mas quando a Polícia Militar invadiu o local o verdadeiro motivo do movimento foi logo descoberto.
A “rebelião” começou por volta das 6h30, segundo o secretário de Segurança, coronel PM Louismar Bonates. Os presos tocaram fogo em objetos, inclusive em bebedouros recém-instalados ali a pedido deles próprios. Em poucos minutos eles dominaram os agentes e tomaram conta da cadeia. Para afastar os policiais militares que faziam patrulha nas muralhas, atiraram pedras contra eles. Alguns ficaram feridos, sem maior gravidade.
Depois de assumir o controle, os presos passaram a divulgar vídeos, inicialmente gravados por eles e depois pelos agentes feitos de reféns. Em todos, indicavam os vários problemas do estabelecimento e faziam reivindicações. Por último, pediram que fosse liberada a entrada no presídio do juiz da Vara de Execuções Penais, Luiz Carlos Valois, e da imprensa. E determinaram aos agentes que implorassem para que a Tropa de Choque não invadisse.
Não adiantou, a Polícia armou a estratégia, percebendo que eles não tinham arma de fogo, e entrou na unidade, dominando rapidamente a situação, sem mortes, segundo o secretário de Segurança. Alguns presos ficaram feridos no confronto com policiais e foram levados a unidades de saúde. Policiais também foram atendidos por causa das pedradas.
Do lado de fora familiares se desesperaram ao ouvir explosões, que segundo a Polícia eram de granadas de efeito moral. Alguns artefatos colocados para intimidar os presos também foram detonados.
Só este ano a Polícia encontrou dois túneis cavados do lado de fora da unidade, o último deles localizado no dia 7 de abril. No dia 14, o Ministério Público enviou relatório informando que havia a possibilidade de rebelião no presídio. Hoje, ao invadir o local, os policiais localizaram um terceiro túnel, desta vez cavado de dentro para fora. “Era este o objetivo deles ao tocar o terror: encobrir a fuga”, disse Bonates.
A Polícia faz neste momento uma revista para entregar a unidade à Secretaria de Administração Penitenciária.
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